O escritor Antônio
Campos divulgou uma nota, nesta terça-feira (19), afirmando que o erro da
aeronave Cessna 560 XL é o parecer mais plausível para justificar o acidente
que vitimou o seu irmão, o ex-governador Eduardo Campos, e mais seis pessoas,
no dia 13 de agosto de 2014. A justificativa foi motivada pela apresentação do relatório final
divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos
(Cenipa), que responsabiliza o piloto e o copiloto sobre o desastre
aéreo.
Além do ex-governador Eduardo Campos estavam no
avião, o assessor de imprensa Carlos Augusto Percol, o diretor de fotografia
Marcelo Lira, o fotógrafo Alexandre Severo, o assessor Pedro Valadares e os
pilotos, Geraldo da Cunha e Marcos Martins.
Confira a nota na íntegra:
Com referência à reunião e coletiva convocada pelo
Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos),
realizada hoje, à tarde, divulgando relatório final, tenho a registrar o
seguinte:
Os inquéritos civil, comandado pelo Procurador da
República em Santos, Thiago Nobre, e o policial, comandando pelo Delegado Federal
Rubens, que se encontra na 5ª Vara Federal de Santos ainda não foram
concluídos. O policial aguarda inclusive perícia em simulador de voo, que é uma
prova relevante para comprovar erro de projeto.
Contudo, o parecer técnico, mais plausível, pelo que
acompanho o caso desde o início, é no sentido de explicitar erro de projeto do
estabilizador horizontal do avião sinistrado e de precedentes de problemas
idênticos com outras aeronaves semelhantes. O automatismo projetado para o
estabilizador horizontal falhou, colocando o avião para a posição de Nose Down
(nariz para baixo), passando o avião a se comandar e levando-o a um mergulho
fatal e incontrolável. Houve um incidente grave no dia 2 de dezembro de 2012,
na Suíça, com o avião HB-VAA, e com o avião PP – MDP, em um voo cruzeiro de
Manaus com destino a Orlando, no dia 2 de junho de 2015. A Cessna terá que,
certamente, mudar o projeto do Cessna CE560 nos modelos XL, XLS e XLS+, para
corrigir tal falha. Os outros dois aviões que tiveram problemas estavam em altitude
elevada, o que fez a diferença entre viver e morrer.
O relatório do Cenipa foca a conduta dos pilotos e
não aprofunda as condições e o projeto da aeronave, embora provocado para
tanto.
O alegado cansaço e falhas do piloto relatados pelo
Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), no
máximo, constituem culpa concorrente, precisando ser elucidada a possibilidade
de erro de projeto.
Recife, 19/01/2016
Antônio Campos
Advogado
OAB/PE 12.310
Advogado
OAB/PE 12.310
Fonte: Folha de
Pernambuco