Carlos Cavalcanti Da equipe do blog Tramita na Câmara Municipal do Recife um projeto de lei da vereadora Aimée Carvalho (PSB) que determina a disponibilização da Bíblia Sagrada em todas as escolas e bibliotecas da cidade. Com a medida, a prefeitura deverá comprar dois exemplares - uma edição convencional e outra em grafia braille ou anagliptografia - para cada instituição. "Este foi o primeiro livro impresso do mundo, logo merece destaque entre os demais livros. Além, claro, de trazer ensinamentos importantíssimos para toda a sociedade, independente do credo religioso de quem A lê", diz um trecho do projeto. Questionada sobre os custos para implantação do seu projeto, a vereadora socialista disse não ter realizado um estudo, mas afirmou acreditar que a prefeitura é capaz de arcar com as despesas. “O Executivo pode simplesmente incluir a Bíblia Sagrada no material didático das escolas da rede municipal, ou poderia ainda firmar parcerias com a iniciativa privada para a viabilização do projeto”, disse. Apesar de ter ressaltado que o objetivo do projeto não é de obrigar o cidadão a ler a Bíblia, mas de disponibilizar o livro nas escolas e bibliotecas, a vereadora não soube, no entanto, explicar sobre o viés ético da utilização do dinheiro do cidadão recifense como um todo para aquisição de material pertencente a um determinado seguimento religioso: “Eu realmente não fui a fundo na questão dos custos, até porque não me cabe”. Ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara de Recife, o vereador Jurandir Liberal (PT) disse que acha improvável que o projeto seja aprovado pelo colegiado. “O Poder Legislativo não pode apresentar projetos que demandem gastos ao Poder Executivo. É inconstitucional. Não acredito que a matéria em questão passe pela comissão”. O vereador André Ferreira (PMDB), também integrante da bancada evangélica, apresentou, em 2008, um projeto parecido. À época, o parlamentar, no campo da oposição, quis implantar nas bibliotecas das escolas públicas da capital pernambucana ao menos um exemplar da Bíblia Sagrada, mas recebeu o veto do então prefeito João Paulo (PT) ao seu projeto sob a justificativa de que não é permitido ao Poder Executivo manter vínculos diretos com instituições religiosas. Com informações do JC Online. |